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17 março 2011

Diálogos prováveis

- E ai, alguma novidade sobre aquele assunto?
- Até agora a informação mais precisa que deram foi "não sei ao certo".
- Então é isso.
- A menos que seja o contrário.
- Ou alguma coisa muito parecida.

27 janeiro 2010

a mãe, preocupada com o futuro do filho de sete anos, chama o pai de lado, dizendo-lhe em surdina:

- Juninho já mente olhando nos olhos, Cléber. Acho que devemos sacrifica-lo antes que aprenda a falsificar nossas assinaturas.
- Calma, Norma. Ainda podemos ensiná-lo a roubar seu próprio dinheiro.

21 dezembro 2009

visões do mesmo

Fui ao psiquiatra. O cara me deu um questionário pra preencher, com perguntas do tipo "você se sente desvalorizado"?, "já pensou em suicídio"?, etc. Cada resposta "sim" pesava um ponto contra mim.

Nunca fui bom pra perguntas de sim ou não. Pior ainda quando são sobre o que sinto ou o que penso. Também nunca confiei em médicos. "Pensar em suicídio no sentido de algo que eu já vi acontecer perto de mim?, no sentido de um desejo, de uma possibilidade, de uma meta?, no sentido do último reduto do meu livre arbítrio?" - eu pensei, mas não existiam essas possibilidades no formulário. Pensei também se existia alguém que não se sentisse desvalorizado nessa sociedade de consumo. Enfim, foda-se. Sim ou não.

Custou caro a consulta, mas ganhei uma amostra grátis de Prozac. Parecia justo. Já no meio da caixinha, sentia que aquelas cápsulas retardavam meu tempo de reação pra vida. Alguém dizia alguma coisa, e eu tinha uma resposta, mas minha boca demorava a se mover. Era uma forma de evitar a impulsividade (vantagem pros destrambelhados, cujo primeiro ímpeto, em geral, não é o mais brilhante), mas minha mente permanecia ansiosa. Não curti a onda e parei com aquilo antes que aprendesse a gostar.

Em outra ocasião fui num terreiro de umbanda. A liturgia era bem diferente da do consultório psiquiátrico, mas a primeira consulta era grátis. O preto velho disse que eu precisava desenvolver a minha mediunidade e me deu uma pedrinha bonita, que era pra eu levar comigo sempre, uma proteção, mas que perdi logo depois.

Em comparação com a idéia de tomar um remédio que me distanciasse do mundo e atenuasse quimicamente minhas dores de consciência, desenvolver a mediunidade me pareceu válido. Mais por considerar todo aprendizado legítimo como forma de gastar a vida, do que por adivinhar o que estaria implicado naquelas palavras. Mas não fui muito além nesse processo também.

Semana que vem vou num culto evangélico neo-pentecostal. Talvez um exorcismo simples e direto resolva melhor minha situação. Só não sei como é a tabela de preços por lá.

16 dezembro 2009

garota esperta 7

A garota estava apaixonada. Irremediavelmente apaixonada, (ela pensava).

Neste domingo, na casa de sua mãe, deitada para dormir, ela traça planos para o dia seguinte na escola. Imagina cenas, ensaia palavras e gestos, especulando consequências. O que poderia fazer para se aproximar, qual seria o caminho certo?

Existia nela uma curiosidade e um desejo, mas ela não sabia direito pra onde ia tudo aquilo. Aproximar-se, declarar-se, beijar o menino da escola. Parecia simples. E se não fosse? Tinha medo. Ela não sabia o que ele pensava dela, o que sentia por ela, não sabia qual seria sua reação. Ia doer se ele dissesse não. E nesse limiar de consciência, numa fantasia semi-adormecida, ela imagina o super-poder que resolveria sua situação.

Algo que fizesse o menino ver (sem que ela tivesse que falar) que o que ela sentia era bom, e que ela era uma garota esperta e bonita, e que ela sentia uma dor fechada no peito quando os dois se despediam na escola, mas que abria um sorriso tão grande quando encontrava com ele de novo no dia seguinte, que não tinha como eles não serem felizes juntos. Tudo parecia tão certo. O que faltava para que ele percebesse? Ela imagina um jeito de entrar na cabeça dele, de fazê-lo ver tudo do jeito que ela vê.

E nesse quase-sonho, ela vê sua alma saindo do corpo, viajando entre os prédios e viadutos da cidade, procurando, procurando, até achar a casa do menino e aterrissar lá dentro do coração dele, para que ele sentisse exatamente o que ela sente. Aí a sua alma mostraria para ele o quanto os dois combinavam e quão absurdo era que estivessem separados até agora.

E no dia seguinte, a primeira coisa que ele faria na escola seria beijá-la.

Ela pisca, mansinha, quase dormindo, embalada na certeza de que sua alma está lá, e que amanhã ela volta, trazendo ele junto.

"Mas, peraí", - ela pensa - "se minha alma está lá com ele, quem é que está aqui comigo”? E para onde teria ido a alma dele enquanto a dela está lá? Um corpo não pode ter duas almas, nem uma alma pode controlar dois corpos, ela se assombra.

Ela imagina um tipo de dança das cadeiras, e todas as alminhas expulsas dos seus corpos, revoando como borboletas à procura de um coração vazio pra aterrissar. E se a sua alma se perdesse no caminho e ficasse pra sempre vagando, saltando de uma pessoa pra outra, sem conseguir voltar? E se alguma alma safada e oportunista resolvesse ocupar o seu corpo abandonado? E se a alma do menino da escola estivesse, naquele momento, procurando exatamente o coração dela para pousar?

Foi com esse último pensamento que ela conseguiu adormecer.

19 novembro 2009

O homem perfeito

As duas amigas conversavam no bar. Algumas cervejas na mente e uma delas sugere uma rodada de tequila. Por que não?

Marina e Cecília se conheceram quando a primeira namorava o Luiz. Acho até que foi ele que apresentou as duas. Nunca foi plenamente esclarecido se houve uma intersecção temporal entre a fase do fim no namoro da Marina e o começo do rolo que o Luiz teve por alguns meses com a Cecília, mas isso também nunca foi investigado a fundo.

Demoraria ainda antes que elas voltassem a se falar. A Ciça não sabe, mas a Marina voltou a pegar o Luiz, fato determinante pra ela perceber que ele realmente não valia a pena. Foi importante para a amizade das duas o dia em que, numa conversa sobre o Luiz, Cecília chorou no colo da Marina (menos por culpa do que pelo acolhimento inesperado da antiga rival), quando o ex comum já era para as duas um nome do passado.

As duas acabaram se tornando, a despeito das probabilidades, companheiras de solteirice e fuleragem. Conversavam agora sobre a noite anterior.
Marina: E na balada ontem, o cara lá falando da eterna busca de um sentido inexistente.
Cecília: E você olhando pra ele e dizendo “me come”.
Marina: Tipo isso. Cada vez mais bêbada, todo mundo indo embora e o cara lá falando. Eu só pensava "mais uma noite perdida".
Cecília: Uma dose de canalhice é importante pra acelerar as coisas, né. Manter o suspense.
Marina: Pra mim pode ser dupla, que eu já criei resistência.
Cecília: No começo é divertido. Foda é quando você resolve namorar e o sujeito não tira nunca da cara aquele olhar de "te peguei / vou te pegar" pra toda mina que passa.
Marina: Aí você faz igual, de preferência com os amigos dele.
Cecília: Ai, que preguiça.
Marina: Vai dizer que você prefere os românticos.
Cecília: Ah, eu gosto. Pronto, falei. Aquele que você acorda no meio da noite e ele tá te olhando dormir com cara de apaixonado.
Marina: Acho que eu ia ficar assustada.
Cecília: Só depois dos três primeiros meses. No começo é muito fofo.
Marina: Por isso que eu gosto do Lucas. Eu mando mensagem, ele liga de volta na hora. Nem troca idéia, diz só "onde você tá? Tô passando aí". Aí ele vem, faz o serviço, não liga no dia seguinte. Sem imprevisto, sem DR, o homem perfeito.
Cecília: Perfeito eu não sei, mas parece um bom custo-benefício.
Marina: Vou te dizer que é, viu. Garçom, mais duas tequilas, por favor.

sob condições adequadas de temperatura e pressão

Uma música marcante de uma fase boa do passado é como um amor quase esquecido.

Se você não tiver vergonha do que foi e não renegar tudo que ocorreu desde então, nada impede que, ao escutar novamente na circunstância correta, sobrevenha aquele mesmo sentido, aquele mesmo encanto de outros tempos, acrescido da nostalgia e de certo distanciamento, como a lembrança de uma vida alheia. Isso, claro, se já tiver passado a fase do abuso, que dá quando se ouve muito a mesma coisa.

E aí você pode se pegar cantando de novo aquela velha música, por mais que pareça, então, inadequado dançá-la publicamente a passos de coreografia como você já fez um dia.

12 novembro 2009

garota esperta 6

A mãe, preocupada com o futuro da garota, liga para o pai:
- Essa garota anda com um comportamento muito estranho. Com que tipo de gente ela anda convivendo quando está com você?
- Só gente de confiança, pode ficar tranquila.
- Ela passa o dia no quarto, lendo quadrinho e ouvindo música, de incenso aceso.
- Olha só que moça privilegiada essa nossa filha.
- Veio me dizer outro dia que achava que a mulher tinha o direito de decidir sobre seu corpo e seu futuro e que o SUS devia fazer aborto de graça.
- E você achou isso um absurdo?
- Acho que ela tá muito cheia de argumento pro meu gosto.

03 novembro 2009

nunca disse que era verdade

A muito custo consegui dormir, depois de noites e noites de insônia. Acordei de sobressalto com alguém que me cutucava no escuro. Era eu mesmo, naquele breu, querendo ter uma daquelas esclarecedoras conversas de si para si. Tentei voltar ao sono, mas minhas perguntas não deixavam. Virei de lado, mas lá estava eu, me olhando de frente, com novas indagações.

Perguntei se era mesmo comigo que eu queria falar. "Tanta gente mais interessante no mundo", eu disse, mas não bastou, o assunto era comigo mesmo. "Não podemos deixar para amanhã esse papo"? - foi o meu último recurso. "Não, não podemos", respondi, impassível.

Vendo-me acuado naquele interrogatório, tive de ser sincero, por mais embaraçoso que fosse: "você poderia repetir, eu não estava prestando atenção". Quantas vezes, sob pressão, não somos obrigados a dizer a verdade apenas para que não nos chamem de mentirosos.

E era justamente sobre isso que eu me indagava: a mentira. Exigia uma justificativa moral para os meus atos, alguns bastante questionáveis, eu bem sabia. Teria de defender minhas posições sobre o assunto caso quisesse me afastar da incoerência. E logo àquela hora da madrugada. Precisaria ser sincero, ou viveria irremediavelmente na inverossimilhança, coisa inadmissível a uma personagem fictícia. Comecei:
- A mentira tem sua função e sua importância, mas a vejo como um rito, uma religião, uma droga. Uma dessas coisas de que não devemos abusar. Mas aí, você viu  jogo do Curíntia ontem?
Tentei mudar de assunto, julgando que me daria por satisfeito, mas eu não tinha visto o jogo. Tive de continuar minha defesa:
- Olha, eu sei que você concorda comigo. Algumas pessoas simplesmente não precisam, não querem e nem farão nada depois de ouvir nossas verdades. Eu nada devo a elas. Minto só quando posso poupar um constrangimento, quando posso ser beneficiado pela dúvida, aquela mentira sobre sentimentos, que ninguém pode desmentir, aquela sobre palavras que pra cada um significam uma coisa diferente. 'Eu te amo', essas coisas. Não é uma questão de dizer ao meu amigo que os cadarços dele estão desamarrados uma vez que ele esteja de chinelos. O ponto central é a omissão de uma informação irrelevante. Não vou dizer ao cobrador do ônibus o quanto me irrita a sua mania de fazer aspas com os dedos, como se sua cabeça fosse uma citação. Não preciso elogiar a gravata do chefe, mas se eu puder omitir que acho a esposa dele uma gostosa, provavelmente vai ser melhor para todo mundo.
Já estava me empolgando com o argumento, e prestes a fazer confissões mais profundas, quando olhei ao redor e me deparei sozinho. Se bem me conheço, já estava cansado daquele meu papo besta. Além do mais, eu sabia que era tudo mentira.

02 novembro 2009

a trégua forçada

Em meio a tantas galáxias, o planeta terra girava em torno do seu próprio eixo, indiferente. Nele, vidas surgiam e findavam ciclicamente, alternando-se o dia e a noite.

Alheio a tudo isso, o cavalo negro captura a torre branca. Apenas jogávamos xadrez.

Naquele momento, tudo que extrapolava os limites do tabuleiro e de sua coerência matemática perfeita residia, para nós, no campo da não-existência.

Foi então que, sem aviso nem licença, foi-nos imposta uma trégua:

A gatinha preta que, deitada, nos observava, subitamente levanta, salta sobre a mesa e, demonstrando sua supremacia sobre mais aquele reino, pata ante pata, solenemente atravessa o campo de batalha, indo se deitar na poltrona no canto oposto da sala, perante os olhares impassíveis e paralisados dos dois exércitos.

Pisando apenas nas casas vazias, sem derrubar ou sequer tocar peça alguma, ela passou de orelhinhas franzidas e olhar blasé, na espécie de falsa indiferença daqueles que querem ser notados, mas jamais admitiriam, simplesmente porque isso implicaria no reconhecimento da existência do observador.

Aquele movimento (aparentemente gratuito, considerando-se os demais caminhos, talvez menos belicosos, para que ela chegasse àquela mesma poltrona) provava-nos não apenas que ela podia pisar onde desejasse, mas também evidenciava a nossa condição de humanos úteis, embora dispensáveis.

 A nossa compenetração e o objeto de nossa disputa não tinham, para ela, qualquer significado, era o que diziam suas patinhas silenciosas e seu bigode petulante.

Numa existência sem acasos, como simboliza o rigor geométrico do tabuleiro, aquela teria sido apenas mais uma torre capturada pelo meu avô.

31 outubro 2009

espetando pra ver até quando sai sangue

"Se você não precisa mais de mim, isso pode ser resolvido. Mas não diga que não te ajudei a chegar até aqui". - Disse a página arrancada do caderno do cara que temia parecer pedante por escrever em público.

Era como se os olhos das pessoas que passavam por ele, de caderno e caneta em mãos, dissessem "quem você pensa que é para escrever? Você não é escritor".

23 outubro 2009

2012 - uma conversa de buteco perto de você

- É... o mundo não tem mais jeito mesmo.
- Você sabe, né, o calendário Maia só vai até 2012.
- Particularmente, eu acho que é porque eles não sabiam contar até 2013
- Eu acho que eles sabiam, mas pensaram que era perda de tempo. Eles nem achavam que a humanidade fosse durar tanto tempo.
- Eles mesmos acabaram bem antes.
- Ah, se eles te ouvem. Cuidado com as profecias, rapaz.
- Essas mudanças no clima são só o primeiro sinal do início da peça.
- Pode crer. Tornado em Santa Catarina, enchentes no nordeste, seca na maior bacia hidrográfica do planeta.
- Tudo muito estranho.
- É, mas ainda acho que o mundo vai acabar em meteoro.
- Se bem que esse lance do clima tem muito a ver com as atividades humanas. O problema é o culto da monogamia, saca: quando nego planta só cana-de-açucar, ou só gado.
- Aí fode.
- Por isso que eu vou cercar meu pedaço de terra em volta de um tanto de água lá em Alto Paraíso e fazer meu bunker.
- Boto fé. Pra ver de camarote a maré subindo e o céu pegando fogo.
- Aí neguinho que não é idiota vai achar que não entendeu.

01 outubro 2009

garota esperta 5

A menina foi com o pai assistir a uma peça da nova namorada dele. Acabaram todos ficando mais um pouco, para o coquetel, ajudando no bar do teatro. Quando chegava um comprador, a garota se metia na frente do pai e logo perguntava:
- Uma breja? - e já deslizava a latinha pelo balcão.
- Quanto anos você tem? - perguntava o cliente.
- 11.
- Muito bem. É bom começar cedo, que logo aprende que não presta.
Uma hora ela foi na padaria do lado, buscar duas de cinco pra trocar uma de dez. O cara da padaria perguntou, enquanto dava o troco:
- O que você vai fazer quando crescer?
- Usar bota e fumar cigarro, que nem a Paulinha, a namorada do meu pai. Ela é atriz.

15 setembro 2009

garota esperta 4

- Recebi um recado da sua professora dizendo que você não fez o dever de casa de novo. Tá muito desleixada a senhorita, ouviu.
- Não tive tempo.
- Não teve tempo!? Passou a tarde inteira olhando pro vento, rolando tatu-bola. Tempo você teve, você que não aproveitou.
- Eu aproveitei. Por isso que não tive tempo.

14 setembro 2009

a hora da iluminação

Duas semanas depois da tal despedida, o cara acorda de sobressalto às 3h47' da manhã. Coração frenético, testa suada, ele conclui:
- Cazzo... então era isso que eu devia ter dito aquela noite.

04 setembro 2009

por enquanto nunca

- Mais tarde a gente se fala.

Despediram-se, ambos sabendo que não haveriam de se falar tão cedo.

30 agosto 2009

garota esperta 3

Pai e filha estão de carro, rumo à casa da nova namorada dele.
- Vai demorar muito ainda?
- Demora só até chegar.
- Humptf.
A menina, no banco de trás, observa pela janela a paisagem que passa.
- Quantas namoradas você já teve?
- Namoradas mesmo, umas 8.
- Você lembra de todas ou é uma estimativa?
- "Estimativa"?! Algumas eu lembro mais, mas lembro de todas sim. Não o tempo todo.
- Da mamãe você lembra, né?
- Lembro bastante.
Ela pega o celular, fica fuçando nos joguinhos.
- Você vai conhecer a Paulinha. Ela é muito legal.
- Tomara. O que ela faz da vida?
- Ela é atriz.
- Ela é a mulher da sua vida?
- Não.
- Como você sabe?
- Digamos que eu desconfio.
- E ela sabe disso?
- Acho que ela também desconfia.

26 agosto 2009

quem ama o feio não liga pra aparência

- Ainda bem que existe quem se atraia sexualmente por gente inteligente. Senão a gente que é feio tava ferrado.
- Por que você tá falando isso? Você me acha feia?
- É... BONITA você não é, mas eu te acho linda.

18 agosto 2009

mais que mentir, é importante ter uma justificativa moral

- Você me disse que era advogado. E ainda mora com seus pais?!
- Então. Estou fazendo cursinho pro vestibular de direito.
- Seu mentiroso.
- Não foi mentira. Foi só a verdade contada antes da hora.

05 agosto 2009

coisas para dizer numa entrevista de emprego

- Você usa drogas?
- Depende. O que você tem aí?

04 agosto 2009

a menos que talvez

- O molho tá bom?
- Aham.
- E o talharim? Será que era melhor ter deixado um pouco mais? Tá muito salgado?
- Não muito.
- Ai, que raiva! Você tem que ser tão evasivo sempre?
- Nem sempre.