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03 fevereiro 2012

Tudo junto é muita coisa
Todo mundo é muita gente
Muito pode não ser o bastante
Muito embora pouco possa ser suficiente

21 dezembro 2011

acordei
e as paredes, móveis,
respiravam tua presença

não sei que seja,
ou de que mares de lá
de onde essa brisa venha

mas do teu cangote
cada cheiro que emana me acende
uma lembrança de sete outras vidas que te amei

20 dezembro 2011

prepotência de apaixonados

de si mais um
acham que emana
o sentido da resposta de tudo

23 novembro 2011

Notas submersas

Já estive são e sóbrio,
não a passeio,
mas certamente de passagem.

E, lá estando, tomei notas,
observando gente
que, então, agia igual a mim.

Não por um ímpeto etnográfico qualquer
ou pelo tipo de curiosidade mórbida
que precede a criação da poesia,

Mas, porque, de regresso, eu sabia,
logo seria preciso um manual da superfície,
uma bóia ou linha guia.

No caderno, frases borradas em letra corrida
lembram valores lá do raso
"firma o passo; sustenta o discurso; mantenha o controle".

Com meus desenhos à mão, diante do espelho,
esboço expressões copiadas de normalidade,
meios-sorrisos pacíficos anestésicos.

Escrevi também julgamentos que sofri
"você aí tentando se explicar,
e a pessoa já faz tempo que sacou a sua"

Acho que ela blefava,
mas o jogo era xadrez,
e a partida nunca foi terminada.

Outras sentenças roubadas,
entreouvidas de passagem,
sempre com pressa e sem certeza:

"Diferencia o romântico do canalha
o sofrimento de um e o cinismo do outro"
ou seria o contrário?

Oscilo entre extremos muito distantes
das notas que tomei
mas alguns ditos permanecem úteis:

"Continue respirando; 
podia ser pior; 
no final acaba".

07 novembro 2011

Vale bosta a intenção do poeta

vale o verso
e o que dele faz o tempo
à revelia do que quer que se quisesse

não muda o mundo a poesia
mera muda brota em pedra
quiçá, contudo, se bruta, ainda floresça

17 maio 2011

É como revirar as gavetas de um armário antigo
Em busca de uma chave perdida.

Estará sempre na última que você abrir;
Mas não por acaso, nem por destino.

É só que, quando encontra, você para de procurar.

05 maio 2011

04 maio 2011

Imaterialismo dialético

Primeiro, não sei;
Daí me esqueço;
E então, mudo de idéia.

29 abril 2011

self made

Começou pobre.
Saiu do nada,
Mas, em pouco tempo,
Com muito trabalho,
Chegou a lugar nenhum.

12 abril 2011

O futuro começa agora.

Não, agora.

Não, não, começa agora...

Não!

Agora!!

03 fevereiro 2011

Quando falo da autonomia da tartaruga,
Da sagacidade da coruja
E da perspicácia do gato,
Digo do que admiro
Distante do que sou.

10 novembro 2010




Querendo entender, clique na foto, ou encoste o nariz na tela.

01 outubro 2010

Alma iracunda

Alma carregada de animosidade e ódio.
Índole sinistra furiosa, latência do ardil,
Propensão das explosões de cólera,
Espírito da graça rústica das vilanias.

Alma iracunda, arma engatilhada
Dos que têm coca-cola correndo nas veias,
Que esmagam passarinho, queimam bigode de gato
E se prevalecem pelo imperativo do verbo.

Máquina bélica, de madeira oca e aço,
Cavalo incorporado por aqueles que entregam o irmão,
De sangue nos olhos e sem lágrimas, aos homens

Que chutam bengala de velho cego e cocho
E pelo júbilo do riso, arrastam a mãe
Sem calcinha no chão de caco de vidro.

29 setembro 2010

Como diria aquele que preferiu ficar calado

Se escrevendo não te crêem,
E não queres que descubram,
Confessa apenas por escrito.

12 setembro 2010

Aprendi muito com meus erros
Não vejo a hora de aprender
Com acertos pra variar.

30 agosto 2010

o que não fiz
em sonhos
carrego
não canso de fugir
de tudo que lutei
pra conquistar

espero que, velho,
me conforte a contabilidade
das oportunidades que deixei passar
tudo que se queria
às vezes
era querer-se
uma coisa só
pra sempre

19 julho 2010

Não
Significa nada,
Mas, também, não
Significa alguma coisa.