23 novembro 2011

Notas submersas

Já estive são e sóbrio,
não a passeio,
mas certamente de passagem.

E, lá estando, tomei notas,
observando gente
que, então, agia igual a mim.

Não por um ímpeto etnográfico qualquer
ou pelo tipo de curiosidade mórbida
que precede a criação da poesia,

Mas, porque, de regresso, eu sabia,
logo seria preciso um manual da superfície,
uma bóia ou linha guia.

No caderno, frases borradas em letra corrida
lembram valores lá do raso
"firma o passo; sustenta o discurso; mantenha o controle".

Com meus desenhos à mão, diante do espelho,
esboço expressões copiadas de normalidade,
meios-sorrisos pacíficos anestésicos.

Escrevi também julgamentos que sofri
"você aí tentando se explicar,
e a pessoa já faz tempo que sacou a sua"

Acho que ela blefava,
mas o jogo era xadrez,
e a partida nunca foi terminada.

Outras sentenças roubadas,
entreouvidas de passagem,
sempre com pressa e sem certeza:

"Diferencia o romântico do canalha
o sofrimento de um e o cinismo do outro"
ou seria o contrário?

Oscilo entre extremos muito distantes
das notas que tomei
mas alguns ditos permanecem úteis:

"Continue respirando; 
podia ser pior; 
no final acaba".

16 novembro 2011

A verdade é a soma de incontáveis meias-mentiras.

Pode ser que não se possa enganar a todos todo o tempo, mas também é possível que enganar um de cada vez seja suficiente.

07 novembro 2011

Respeitar a Deus é pecar longe das vistas do padre.

Vale bosta a intenção do poeta

vale o verso
e o que dele faz o tempo
à revelia do que quer que se quisesse

não muda o mundo a poesia
mera muda brota em pedra
quiçá, contudo, se bruta, ainda floresça

25 outubro 2011

General Materazzi - Fragmento # 7 - Sobre a distinção entre legalidade e ética

"Num sistema político que o Legislativo corrompe, antiético é respeitar as leis".

Já tá assim faz tempo.

Você só acha que é de agora porque chegou faz pouco.

Salmos da Verdade 1;1

5 coisas que ensinaria um papagaio a dizer para entreter as visitas enquanto me calo.

- Ora, quanta perspicácia.
- Conta mais.
- E a vida, como anda?
- Uau, você é demais.
- Sabe aquela do papagaio?

Perto disto, o resto é nada.

Em relação ao que era, talvez, mas comparando com o que já foi, certamente.

Tem dia que o prazo é hoje.

Chega uma hora que, ou você fala "é agora", ou você vai acabar deixando pra mais tarde.

Descubra o provérbio.

"Ópio do povo"...

Sorte teve Marx, que não viveu pra ver big brother, fakebook e outras drogas sintéticas da pós-neocontemporaneidade.

É inverossímil demais pra ser mentira.

Mas, se fosse ficção, ninguém acreditava.

Desconfie dos imperativos

Em nome de Jesus?

Só creio mediante procuração assinada de próprio punho.